sábado, 26 de março de 2016

AINDA SOU NOVO, MINHA GENTE!

Só porque já dei um ar da minha gracinha quando era bébé, o pessoal acha que tenho que vir aqui todos os dias fazer o report do que se passa! Ora só agora é que aprendi a ladrar decentemente, quanto mais a escrever. Bom, mas já que insistem, hoje conto o que se passou a seguir à minha adoção por uma família não canina.
 
Como contei antes, estava cheio de fome e medo do que me pudesse acontecer. Dei uma volta pelo jardim, encontrei grades num portão que dá para a rua e vai daí pensei: "porque não ir pesquisar para ver se encontro alguém por aqueles lados?" E fui. No passeio vinha um senhor com 3 animais da minha espécie, todos bem gordinhos e seguros pela mão do mesmo.
Juntei-me a eles, mas a reação foi desanimadora: o dono deles pegou em mim e começou a chamar em voz alta "ó vizinha, venha cá que o seu cãozinho vai morrer atropelado". É claro que não apareceu ninguém, porque nessa altura eu ainda não tinha donos. Então ele voltou a pôr-me dentro do jardim um pouco mais longe do portão para ver se eu não ia novamente naquele sentido, porque se fosse, pequeno como era e com o trânsito que por ali há, era uma vez um Othelo!
 
Sobrevivi e encontrei os meus donos como vos contei antes. Mas a fome era já muita e eles não tinham daquela comidinha que é suposto darem aos cachorrinhos da minha idade. Que fazer? Talvez ele goste de leitinho e vai daí deram-me leite magro que é do que a casa gasta. E eu bebi, que remédio, estava com fome e sede. Então e depois, onde é que ele fica? Ainda hesitaram uns bons dias até decidirem que ficavam comigo, e durante esse tempo fiz os possíveis por me portar bem, mas já se sabe, só com pouco mais de um mês não se podia esperar muito nesse capítulo!
 
Fizeram-me uma casinha debaixo de um tanque de lavar roupa, bem fechado à volta e com um almofadinha do Benfica lá dentro. Gostei, dei-me logo bem e só queria lá estar dentro no quentinho ou cá fora na brincadeira.
 
Entretanto foram comprar comida a sério e enchi a barriguinha. Não fiz mais nada durante bastante tempo, dormi, comi e brinquei. Ainda hoje é o que mais gosto de fazer, então se for brincar com os meus donos, estou no céu...
 
De noite portei-me maravilhosamente bem, parecia que tinha vivido com eles desde que nasci. Dormi horas sem fim e nunca chorei, apesar de ficar sempre na tal casota improvisada. Finalmente decidiram-se: iam ficar comigo. Fui adotado. Iupiiii! Há vida melhor?




 

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